Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Filme: Liberal Arts

por Blogs Zé Consciência, em 18.07.13

 

Hoje, caros leitores, vou fazer algo diferente.

Vou-vos falar dum filme que vi ontem.

Eu adoro cinema desde sempre, preferindo maioritariamente distrair-me com elevadas doses de ação, aventura e efeitos especiais.

Nunca me incomodou num filme situações surreais, como saltar dum prédio e ficar apenas com um arranhão na testa, ou conduzir um taxi por um camião e lançá-lo contra um helicóptero, ou robôs gigantes, ou combates no espaço, ou criaturas medonhas, ou feiticeiros e magos, etc.

Adoro este género, mas não quer dizer que não veja mais nada.

Liberal Arts é um drama, com alguns momentos de humor e romance. Completamente diferente do que mencionei acima.

Confesso que só tive conhecimento deste filme por ter sido escrito, realizado e interpretado por Josh Radnor, mais conhecido pela personagem Ted Mosby, da série Foi Assim Que Aconteceu (porque era muito complicado traduzir à letra How I Met Your Mother *alerta de ironia*).

É preciso destacar algo vergonhoso. Que eu saiba, este filme não foi lançado em Portugal. O que significa que a única forma de o arranjar é por encomenda.

E isso é triste porque este é um dos melhores filmes que já vi.

Fala-nos de Jesse Fisher, um homem de 35 anos, que recebe um convite dum antigo professor da universidade em que se formou.

Como forma de comemorar a sua reforma, o professor decidiu chamar o seu antigo aluno, com quem tem uma forte amizade.

Logo no momento em que Jesse entra na faculdade apercebemo-nos que as suas memórias da mesma são um local de paz, pela forma como se atira para a relva e respira fundo.

Ao rever o seu professor e amigo, conhece um casal que tem uma filha de 19 anos, Elizabeth (todos tratam por Zibby, o que demonstra que para todos é como uma criança) que é aluna dessa universidade.

Penso que os meus caros leitores conseguem adivinhar o que se segue. Jesse e Zibby estabelecem um laço muito forte que se transforma num amor complicado.

Zibby é uma rapariga solta e espontânea, mas Jesse é contido e cuidadoso.

Enquanto a rapariga lhe pede um beijo, ele só consegue pensar que têm 16 anos de diferença e que, quando ele tinha 19 anos (a idade atual dela) ela tinha apenas 3.

A ideia base do filme não é a banal telenovela mas sim a inevitabilidade de crescer e envelhecer.

Uma conversa específica chamou-me muito à atenção.

Jesse estava num bar a conversar com o seu professor, desenrolando-se o seguinte diálogo:
- Sabes quantos anos tenho? - pergunta o professor idoso.

- Não, quantos anos tens?

- Não é da tua conta. - responde grosseiramente - Sabes com quantos anos me sinto?

Jesse encolhe os ombros.

- 19. Desde que fiz 19 anos que nunca mais me senti diferente. Mas eu faço a barba e olho para o espelho e sou forçado a dizer que não é um rapaz de 19 anos que está a olhar para mim.

Este é o principal dilema do filme, a complexidade de crescer e envelhecer e os problemas que surgem quando sentimos que crescemos depressa demais, ou que gostariamos de voltar a ter 19 anos.

Outra coisa que me chamou muito à atenção neste filme foram os diálogos e a forma como as personagens foram criadas. As suas personalidades são credíveis e tudo o que têm a dizer é inesperado e adequado. 

No entanto, há uma personagem, um jovem chamado Nathan que surge quase como se fosse a fada madrinha, com diálogos prepositadamente fora de contexto, como se viesse de outro mundo para guiar e soltar o verdadeiro Jesse.

O próprio enredo do filme está a par desta situação, quando Jesse pergunta a Nathan "tu és mesmo real?".

O filme obriga-nos a pensar e a refletir da nossa própria vida, mostrando-nos as maravilhas de crescer e de absorver tudo o que o mundo tem para nos dar. A riqueza do conhecimento e do raciocínio que se desenvolvem quanto mais vivemos. E ao depararem-se com cabelos brancos poderão dizer, "estou a ficar mais sábio".


Música do Dia: Alicia Keys - Fallin' (2001)


Fonte da imagem, clique aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:03


No final do dia, sobra sempre uma ideia para conversar e refletir. Zé Consciência

Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Comprem aqui o álbum Mar (Hino À Esperança) EP


calendário

Julho 2013

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Crónicas Videojogos