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António Machado decide ser... Médico

por Blogs Zé Consciência, em 15.10.13

O meu nome é António Machado, mas os meus amigos chamam-me Tó Ma.
Como devem calcular isto leva a muitas brincadeiras, umas mais toleráveis que as outras.

Por exemplo, quando pensava que ia receber o meu ordenado, disseram-me: "Toma lá qu' é p'ra aprenderes!"

E despediram-me!...

Mas eu não sou de me deixar ficar por baixo, por isso mesmo decidi ser médico por conta própria.

Era simples! Bastava transformar a minha casa num consultório.

Uma secretária com gavetas para guardar a tralha, uma cadeira almofadada e com rodas para mim e duas cadeiras de palha para os pacientes.

Ah, e um computador em cima da secretária!

Óbvio que tive de estudar! Queria ser o primeiro médico auto-didata! 

No currículo tinha: Médico-Geral formado com média entre 14 e 15 mais coisa menos coisas, consultas de Wikipédia e livros da Bertrand e Fnac.

Pus um aviso à porta de casa e no dia seguinte já tinha uma fila com as velhas todas da minha rua. Afinal de contas, não é todos os dias que há um médico na vizinhança, onde se pode conversar sem ter de apanhar dois autocarros.

A primeira paciente era a Dona Georgina Araújo, que se queixava da barriga.

Ao princípio parecia-me uma apêndicite grave, mas quando lhe apertei a barriga para me certificar, sairam-lhe duas tubas por baixo que me empestaram o consultório todo.

"Ai Sô Dotor! Muito obrigado! Bem haja! Estou muito melhor!"
"Pois Dona Georgina, eu é que não..." disse eu enquanto abria a janela.

Pagou-me e saiu toda contente.

Entrou a segunda senhora, a Dona Francisca Pereira, meio a coxear e com a carteira quase pendurada na marreca.

"Então do que se queixa?" perguntei eu.

"Olhe Sô Dotor, nem lhe passa... Outro dia estava eu na paragem do autocarro com a Odete... Sabe quem é a Odete, certo? É a filha da Zulmira que costuma cortar o cabelo à Joaquina. Ela até nem corta mal, mas demora muito tempo e depois põe-se na conversa e não se cala. Mas pronto, a Joaquina, ai desculpe, a Odete... já está a ver quem é certo? Disse-me que tinha arranjado emprego como sinaleira, ou lá o que era, e eu perguntei-lhe se ela arrancava sinais, porque eu tenho um sinal nas minhas costas... Olhe quer vêr Dotor? É este aqui... Pronto, mas ela disse que era polícia e eu fiquei na dúvida se era polícia ou sinaleira..."

Quanto a vocês não sei, mas eu deixei de a ouvir quando mencionou a Odete.

Mas quando chegou finalmente à parte em que tinha de me dizer o que se passava, já não se lembrava! E o pior é que depois daquela história tão pormenorizada, não a podia acusar de falta de memória.

Sendo assim pedi-lhe que voltasse quando se lembrasse.

Isto começou assim, com duas velhotas queixosas. Uma tocou tuba por baixo e a outra esqueceu-se do que tinha para se queixar.

Entretanto tive de fechar para almoço.

Assim que ia começar a comer a minha sandes, entra-me uma mulher pelo consultório com a varinha-mágica toda enrolada na língua. Estava a fazer musse de chocolate e quis lamber o creme da varinha... enquanto ainda estava ligada à corrente!

Eu fiquei muito contente, porque finalmente pude por em prática tudo o que os livros e o Wikipédia me ensinaram!

Tratei-lhe e ela ficou com uma língua quase como nova! 

Ficou-me tão agradecida que no fim até me deixou ficar com a varinha mágica!

Depois do almoço apareceu-me novamente a Dona Georgina, mas com o braço em muito mau estado.

Então não é que a senhora foi ao Jardim Zoológico e quis cumprimentar o gorila?!

Bem, como era apenas Médico-Geral-Por-Conta-Própria, decidi pôr-lhe o braço ao peito e chamar-lhe um taxi para as urgências do hospital.

Mas, como bom profissional que sou, telefonei para lá para avisar que ela ia da minha parte.

Entretanto não apareceu mais ninguém a não ser as velhas vizinhas, que vinham todos os dias para me contarem como foi o seu dia e para no fim se esquecerem do problema que tinham.

Como isto não estava a resultar como eu queria, decidi desistir de ser médico.

Mas eu não me deixo ir abaixo, e daqui a uns dias já saberei o que vou fazer!


Música do Dia: Christina Millian - When You Look At Me (2001)


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publicado às 00:40


2 comentários

De Inês - Desenhos e Desenhos a 15.10.2013 às 13:38

Um post muito diferente daqueles que estás "habituado" a colocar aqui!
Achei piada à história, até porque hoje em dia, com uma pesquisa na net, encontra-se facilmente uma carrada de doenças e os seus sintomas.
beijinho

De Blogs Zé Consciência a 15.10.2013 às 14:27

Obrigado! Beijinho

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No final do dia, sobra sempre uma ideia para conversar e refletir. Zé Consciência

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