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A moda dos males

por Blogs Zé Consciência, em 28.01.14

 

Lembro-me de uma altura, não me recordo quando ao certo, em que um miúdo se suicidou por não ter aguentado a pressão e o sofrimento que rufias da sua escola o fizeram passar.

Depois desta notícia, a palavra inglesa bullying espalhou-se pelo país como a gripe das aves. Muita gente, inclusivé, acreditava que o bullying era um mal recente e que dantes não existia, só porque a palavra tinha sido intruduzida recentemente no nosso país.

Hoje em dia, falar de bullying em Portugal é tão natural como falar de iogurtes fora de prazo, é um mal que toda a gente conhece.

Agora parece que está a acontecer algo semelhante com as praxes.

Ser praxado, há meses atrás era como comer bolo numa festa de anos, uma tradição que só não é cumprida por quem não gosta de bolo (e curiosamente nunca comia bolo nas festas de anos... tal como não fui praxado na faculdade).

Mas agora as televisões portuguesas só publicam documentários sobre as praxes violentas e se deveriam ser proibidas e... ai ai...

Ok, vamos pôr as cartas na mesa! Eu sou anti-praxe, o que significa que considero as praxes nas faculdades um ritual ridículo, onde os veteranos (penso eu) humilham os caloiros, que por sua vez se deixam humilhar a favor da diversão. Basicamente é bullying mas por vontade própria, o que automaticamente torna o ato divertido, por alguma razão.

Há faculdades com "regras" muito rígidas, onde os alunos que escolheram não ser praxados (o que é compreensível) são vistos como fora-da-lei, os rejeitados do grupo. Discordo mais disto do que do conceito em si das praxes.

Aliás não tenho nada contra as pessoas que escolhem ser praxadas ou praxam, simplesmente discordo do ato, daí ter escolhido não participar no mesmo.

No entanto, muita gente vive para isso. As praxes são uma tradição extremamente importante que marca o início da vida académica.

E apesar de existir um número muito restrito de alunos universitários que abusam dos caloiros (verdadeiro bullying), este ritual é no geral respeitado por todos.. Até ao acidente que levou à morte de alunos universitários na praia do Meco.

Agora, subitamente, as televisões espalham mensagens de que as praxes são más, já há pessoas a destacarem como são ridículas e os ministros falam das mesmas como se fossem um ato muito mau.

Óbvio que os estudantes que adoram esta tradição a estão a defender, e fazem-no muito bem!

Posso ser contra as praxes e ter a minha opinião, mas respeito quem pense o contrário e penso que todos nós devemos lutar por termos o direito de viver a vida como queremos.

Tenham só atenção de que as praxes não são obrigatórias e que vocês, caros leitores universitários, não têm de fazer nada contra a vossa vontade.

Eu não fui praxado e ainda tenho os dentes todos e não fiz xixi na cama!

 

Música do Dia: N.E.R.D. - Lapdance (2002)

 

Fonte da imagem, clique aqui

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publicado às 22:46


2 comentários

De Inês - Desenhos e Desenhos a 29.01.2014 às 13:36

As praxes é uma tradição com centenas de anos. Há praxes e praxes, não acho que pintar a cara e cantar umas canções seja algo de mau gosto ou um atentado aos direitos humanos, mas há praxes que de facto devem ser proibidas.
Claro que o aluno pode dizer "eu não quero fazer isso"... mas será que um miúdo tímido, no meio de 200 pessoas e de veteranos a berrar vai dizer que não quer? Ou irá aguentar e acabar por fazer tudo?
Acho grave que os chamados veteranos, alunos mais velhos e quase prontos a ir para o mercado de trabalho, tenham atitudes de tão baixo valor, como humilharem os caloiros.
As praxes são um assunto delicado e muito extenso.

De Blogs Zé Consciência a 29.01.2014 às 13:40

Concordo plenamente contigo!

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